O silêncio que mata: por que Minas Gerais foi na contramão do país no suicídio de policiais
Quem veste uma farda aprende cedo a esconder o que sente. Fala-se de ocorrências, operações, armamentos e estatísticas. Quase nunca se fala sobre a saúde mental de quem está por trás da missão.
- 29 de julho de 2026
- Em: Destaques
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Quando a farda pesa por dentro
Quem veste uma farda aprende cedo a esconder o que sente. Fala-se de ocorrências, operações, armamentos e estatísticas. Quase nunca se fala sobre a saúde mental de quem está por trás da missão.
Escrevo esta coluna não apenas como profissional da segurança pública, mas como alguém que convive diariamente com colegas que carregam um peso invisível.
Um dado recente me chamou a atenção e merece reflexão.
Um dado do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2026) chama atenção: enquanto o Brasil registrou queda de 12,7% nos suicídios entre policiais da ativa, Minas Gerais seguiu na direção contrária, com aumento de 40%, passando de 10 casos em 2024 para 14 em 2025.
São números pequenos do ponto de vista estatístico, mas enormes do ponto de vista humano. Cada caso representa uma vida interrompida, uma família destruída e colegas que continuam carregando o peso da profissão.
Não existe uma única causa para esse cenário. A rotina da segurança pública reúne fatores como jornadas exaustivas, déficit de efetivo, contato constante com a violência, pressão por decisões críticas, processos administrativos e o afastamento da convivência familiar. Soma-se a isso um problema ainda maior: o receio de pedir ajuda por medo de ser visto como fraco ou incapaz.
A verdade é que cuidar da saúde mental não diminui nenhum profissional. Pelo contrário: preserva sua capacidade de proteger vidas, tomar boas decisões e continuar cumprindo sua missão.
A sociedade costuma enxergar apenas a farda. Mas por trás dela existe um ser humano que também sente medo, ansiedade, tristeza e cansaço.
Falar sobre saúde mental não enfraquece as instituições. Fortalece quem dedica a própria vida para proteger a nossa.
Se você está passando por um momento difícil, procure ajuda. O CVV oferece atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188 e pelo site cvv.org.br. Pedir ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza.
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