Após UFMG pedir desculpas por uso de corpos de pacientes do Hospital Colônia Barbacena, UFJF avalia retratação pública
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) informou que realiza uma consulta interna para fazer esclarecimentos sobre a compra de 67 cadáveres de pacientes comercializados pelo Hospital Colônia de Barbacena entre os anos de 1969 e 1981. Os corpos foram usados no ensino de anatomia nos cursos de saúde da instituição.
- 23 de abril de 2026
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A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) informou que realiza uma consulta interna para fazer esclarecimentos sobre a compra de 67 cadáveres de pacientes comercializados pelo Hospital Colônia de Barbacena entre os anos de 1969 e 1981. Os corpos foram usados no ensino de anatomia nos cursos de saúde da instituição.
A expectativa é que a UFJF siga o exemplo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e faça um pedido de “desculpas à sociedade brasileira” por ter usado os corpos para ensino de anatomia.
“Em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a Universidade Federal de Minas Gerais pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática que aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena”, diz um trecho da declaração, assinada pela então reitora da instituição, Sandra Regina Goulart Almeida, no último dia 18 de março.
Em nota, a UFJF disse que “reconhece a gravidade das práticas ocorridas no século passado, como já manifestado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)” e que, em data oportuna, vai “retratar-se publicamente perante a sociedade brasileira”.
A venda de corpos do Hospital Colônia de Barbacena foi abordada no livro “Holocausto brasileiro”, pela escritora juiz-forana Daniela Arbex. Conforme pesquisa da autora, pelo menos 1.857 cadáveres foram vendidos entre 1969 e 1981 para 17 instituições de ensino. Considerando a moeda atual, o valor de cada um seria em torno de R$ 323.
Daniela também comentou o pedido de desculpas publicado pela UFMG: “É o primeiro pedido de desculpas público, e não é qualquer instituição. É talvez a maior universidade federal de Minas, uma das mais importantes, que teve um ato de grandeza que foi reconhecer sua participação nessa barbárie, olhar para o passado e, de alguma forma, produzir algum tipo de reparação”.
O Hospital Colônia de Barbacena foi fundado em 1903 e ficou marcado como um dos maiores símbolos de violação de direitos humanos no Brasil. Criado para tratar pessoas com transtornos mentais, recebeu milhares de internos sem qualquer diagnóstico.
Fonte: G1
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