MPF processa faculdade, Estado e União por uso de corpos de internos do Hospital Colônia de Barbacena
Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública envolvendo fatos históricos relacionados ao destino de corpos de pessoas internadas compulsoriamente no antigo Hospital Colônia de Barbacena.
- 19 de agosto de 2026
- Em: Cidade
Últimas notícias
Confira as últimas notícias publicadas em nosso site.
Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública envolvendo fatos históricos relacionados ao destino de corpos de pessoas internadas compulsoriamente no antigo Hospital Colônia de Barbacena.
Segundo o MPF, ao menos 105 corpos de internos foram vendidos à Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais entre 1971 e 1975, para dissecações e atividades de ensino médico. Documentos históricos apontam que cada corpo era comercializado por 50 cruzeiros novos, valor que seria destinado a despesas de conservação e transporte.
A ação tem como réus a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), mantenedora da Faculdade Ciências Médicas, além da Fhemig, Estado de Minas Gerais e União.
Como reparação histórica, o MPF pede, entre outras medidas, pedido formal de desculpas, realização de cerimônias públicas de reconhecimento, digitalização de arquivos, criação de um memorial dedicado às vítimas e inclusão de conteúdos sobre violência asilar e bioética no currículo da faculdade.
Na esfera financeira, são cobrados R$ 13,7 milhões por danos morais coletivos, além de R$ 1,1 milhão da Feluma para financiar pesquisas acadêmicas independentes. O MPF também pede que União e Estado não realizem cortes ou contingenciamentos de recursos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) durante 15 anos.
A Faculdade Ciências Médicas e a Feluma afirmaram que mantêm cooperação com as apurações e que não antecipam conclusões sobre fatos históricos ainda analisados pelos órgãos competentes. A instituição informou ainda que apresentará sua defesa no processo no momento oportuno.
O caso faz parte de uma apuração mais ampla sobre o destino de corpos de internos do Hospital Colônia. Segundo o MPF, outras instituições de ensino também receberam corpos provenientes da unidade.
O Hospital Colônia de Barbacena tornou-se um dos maiores símbolos das violações de direitos humanos ocorridas no sistema psiquiátrico brasileiro ao longo do século XX.
Nossos colunistas
Veja todas as colunas organizadas por autor.
Editora
1918
matérias

